(H)OUVE AÍ - OS MELHORES AMIGOS DO BJ (FINAL)

O final da história de Luquinhas e Jûsa

EPISÓDIOS

Sunsly Marques

10/31/20253 min read

Luquinhas me disse que do dia 30 pro 31 ele mal dormiu, ficou só balançando a rede pra lá e pra cá, imagina? Finalmente os menino da rua iam ver que ele sabia SIM brincar direito, e melhor, imagina se eles começassem a brincar com ele e Jûsa? Mas, antes disso ele precisava fazer o pedido de seu amigo antes, mas, ele pensava “Por que Jûsa quer falar com essa pessoa? E outra, por que ele mesmo não liga? O orelhão nem fica tão longe assim?”, mas de qualquer forma, era importante, tinha um peso na voz de Jûsa quando ele pediu, um peso que ele geralmente só via em sei lá, nos adultos, quando falavam algo importante, e não qualquer adulto, era como seu tio... ou até... seu pai falava.

Naquela noite, tomado pela coragem, e vestido com a roupa que a vó separou, Luquinhas saiu foi logo, atravessou a rua até o velho orelhão da esquina e já viu Jûsa sorridente do outro lado, que correu em direção a ele empolgado. Colocou as moedas com as mãos trêmulas e discou o número que seu amigo lhe havia sussurrado antes, mas falou de novo só pra garantir. Do outro lado da linha, uma voz cansada atendeu “Alô?” “ Oi... eu sou o Luquinhas. Tô falando do seu filho, Jûca, é que eu sou amigo dele e...” disse, a voz baixa, quase engasgada. Houve silêncio. Depois, uma risada nervosa sabe, daquelas atropelada, quase que Luquinhas riu junto, afinal, com o efeito abafado do telefone era realmente muito engraçado. “Que brincadeira é essa?” respondeu o homem. “Fala que eu tô bem, e perdoo ele por não ter vindo aquele tempo, e que eu também quero lembrar de nois brincando” Mas, à medida que Luquinhas falava, descrevendo lembranças e detalhes que só o filho poderia contar, a voz do pai mudou. Primeiro veio a incredulidade, depois o choro contido. “Eu também sempre lembro da gente brincando junto... andando de bicicleta. É por isso que eu não fico com raiva do senhor não ter vindo me ver. Também quero lembrar da gente assim...” a voz de Luquinhas repetia as palavras do amigo. Do outro lado da linha, primeiro teve um silêncio esquisito, mas tal hora ele começou a ouvir o homem chorar. Luquinhas começou a estender o braço pra desligar a ligação, mas no meio do caminho, Jûza puxou o braço dele um pouco pra baixo e falou direto no microfone do aparelho “Te amo pai, bênça”.

Luquinhas assustado, devolveu o telefone e meteu a carreira para casa, não quis nem saber, quando tava quase passando pela porta de casa, quase esbarrou no tio, que o parou com os braços, achando esquisito aquele afobamento. Ele perguntou o que tava acontecendo, mas claro que naquele momento, Luquinhas não tava conseguindo falar direito, mas no meio das palavras, o tio dele escutou algo curioso ”o meu amigo do cemitério”. Aquilo deixou o tio confuso, que “amigo do cemitério?” Luquinhas tentou explicar, que o menino que ele sempre ia brincar era Jûsa, que até o tio já tinha visto ele algumas vezes, mas o tio disse que sempre o via brincando sozinho e correndo sozinho, Luquinhas no começo ficou confuso, mas logo isso foi se transformando em raiva e depois em tristeza.

Como pode ele ter inventado aquele amigo? Não fazia sentido! O Tio dele foi percebendo aquele destrabelho de sentimentos que aquele pivetin tava sentindo, e na dúvida de não saber o que falar, só abraçou bem forte seu sobrinho. Eles se abraçaram e choraram, o tio disse que entendia ele, pois desde que o pai de Luquinhas tinha partido também se sentia daquele jeito também, aquilo mexeu com eles de uma forma, que eles ficaram de alma lavada depois, e depois do fuzuê dos fogos, todo mundo foi dormir na paz.

No dia seguinte, ele deu uma passada no cemitério pra falar com o tio, mas acabou que viu um homem distante que o chamou a atenção, Ele tava parado perto de uma lápide com uma bola de futebol nas mãos, meio suja, mas muito bonita. Aquilo foi meio estranho, mas ele não se aproximou, nem disse nada. Mas quando o homem tava saindo, passou por ele e deu um sorriso, passou por ele de boa, mas quando deu uns passos jogou a bola no chão e tocou pro luquinhas, que ficou tão satisfeito, que tocou a bola pra mim, que tava só passando lá perto. Desde esse dia que a gente ficou amigo, Luquinhas disse que foi o presente que Jûsa deu a ele.