(H)OUVE AÍ - A ESQUECIDA DO PIRAMBU (FINAL)

Parece que vocês preferem que a gente seja mais compreensivos, então venha escutar o que os nossos conselheiros acolheram a nossa a indecisa.

EPISÓDIOS

Nathaniel Maia

6/13/20264 min read

Apresentador:
E para cumprir essa missão, obviamente, eu não podia fazer isso sozinho. Então vou apresentar algumas amigas que vieram participar da conversa.

Juno Vicky Sullivan:
Eu sou
Juno Vicky Sullivan, psicóloga, e estou aqui para contribuir com uma perspectiva profissional dentro do que for possível.

Erick Magda Lima:
Eu sou Erick Magda Lima, produtora cultural, pessoa não binária, e estou aqui para dar conselhos com uma dosezinha de veneno.

Sunsly:
Meu nome é Sunsly. Estou aqui para compartilhar minha opinião como pessoa não binária e também como fofoqueira profissional da internet.

Apresentador:
Parece que vocês preferiram um caminho mais compreensivo para essa conversa. Então nada mais justo do que deixar a psicóloga mostrar para a gente como acolher alguém de verdade. Juno, a palavra é sua.

Juno Vicky Sullivan: Antes de tudo, queria agradecer o convite. É muito importante que pessoas trans ocupem espaços de escuta e de fala, não apenas como objetos de pesquisa, mas como protagonistas das próprias histórias. Nossa perspectiva é diversa e só nós podemos contar certas experiências a partir de quem somos.

Ouvindo a história da Yara, fica claro que ela está sofrendo diante dessa decisão. São escolhas muito diferentes, mas ambas tocam algo fundamental: o sentimento de pertencimento. Nossa trajetória costuma ser marcada por dificuldades, preconceitos e uma constante luta para seguir em frente. Por isso, os afetos e as pessoas que nos oferecem apoio se tornam ainda mais valiosos.

Tenho a impressão de que ela sente que, ao escolher um caminho, precisará abrir mão de uma parte importante da própria vida. E tomar decisões costuma ser doloroso justamente porque sempre existe algo que fica para trás. Nesse processo, a ansiedade também pesa bastante. Antes mesmo de decidir, a gente já imagina todos os cenários possíveis, cria histórias inteiras na cabeça e tenta prever consequências que ainda nem aconteceram.

Mas acho importante lembrar, Yara, que os seus sentimentos também importam. Tudo o que você construiu até aqui tem valor. Você criou uma família entre outras mulheres trans, construiu relações de afeto e encontrou amor. Isso não é pouco. Então ninguém pode te julgar se você decidir escolher aquilo que te faz sentir amada, segura e acolhida.

Ao mesmo tempo, vale a pena refletir sobre aquilo que você consegue sustentar emocionalmente. Como seria lidar com a distância? Como seria permanecer? Que dores cada escolha traz? E quais delas você sente que consegue atravessar?

Também acho muito bonito tudo o que você construiu com sua avó. Apesar de todas as dificuldades que enfrentaram juntas, existe uma conexão real entre vocês. Mas talvez a resposta não esteja necessariamente entre duas opções opostas. Temos a tendência de pensar em tudo como 8 ou 80, quando existem inúmeras possibilidades entre esses extremos. Às vezes, o mais importante é encontrar um espaço seguro para pensar, sentir e se escutar.

Essa é a minha visão enquanto psicóloga e enquanto pessoa trans, porque essas experiências também me atravessam.

Erick Magda: Eu concordo com muita coisa que a Juno trouxe, mas queria acrescentar uma perspectiva. Em vários momentos da sua história, parece que a decisão está sendo pensada principalmente a partir das pessoas ao seu redor. E eu entendo isso, porque é impossível separar completamente quem somos das nossas relações.

Mas eu queria te convidar a pensar em você.

Quando imagina cada possibilidade, qual delas faz seu coração falar mais alto? Você se vê ficando ou se vê indo? Em situações difíceis assim, geralmente existe uma inclinação que a gente tenta ignorar porque sente culpa, medo ou responsabilidade.

No fim das contas, é a sua vida. Durante muito tempo, outras pessoas colocaram sua existência em questão ou trataram seus desejos como algo secundário. Talvez agora seja o momento de fazer o contrário e se colocar no centro da própria decisão.

Vale investigar melhor as possibilidades. Entender como seria a vida no novo lugar, quais oportunidades existem lá e o que essa mudança representa para você. E, se a situação da sua avó pesa tanto nessa escolha, talvez seja possível pensar em alternativas de cuidado e apoio. O importante é lembrar que essa decisão também diz respeito ao seu futuro e à sua felicidade.

Sunsly: Eu também acho importante considerar que talvez não existam apenas duas opções possíveis. É claro que os sentimentos das pessoas que você ama merecem consideração, mas os seus sentimentos também merecem. E uma coisa que me chamou atenção no seu relato foi a capacidade de manter carinho e compreensão por alguém que não conseguiu oferecer o mesmo quando você precisou.

Isso demonstra uma grande generosidade.

Você me parece uma pessoa muito bonita por dentro, alguém que conseguiu preservar a própria sensibilidade apesar de tudo o que viveu. Por isso, independentemente da escolha que fizer, acredito que você tem condições de construir uma vida boa e encontrar seu caminho.

Só espero que essa escolha seja feita por você.

Apresentador: Acho que todos chegamos a uma conclusão parecida: essa é uma decisão difícil e não existe uma resposta simples. Mas, seja qual for o caminho escolhido — ir, ficar ou encontrar uma alternativa entre essas duas possibilidades —, o mais importante é entender o que está motivando essa escolha.

Que ela não seja guiada apenas pela ansiedade, pelo medo ou pela busca de conforto. E que também não sirva como uma forma de fugir do passado, porque certas coisas continuam nos acompanhando onde quer que a gente esteja.

Então pense com calma, reflita sobre o que realmente deseja e tente identificar o que faz sentido para você neste momento da sua vida.

E é isso, gente. Nossa caixa de comentários continua aberta. Se a Yara quiser compartilhar sua decisão ou atualizar a gente sobre os próximos capítulos dessa história, estaremos por aqui.

A gente se encontra na próxima segunda-feira com uma nova história.

Tchau, tchau.

ACOMPANHE

Nos siga nas nossas redes sociais

Contatos

Diversão

contato.houveai

© 2025. All rights reserved.