(H) OUVE AÍ - UM DIA DE GRANJA AZAR
Tudo o que poderia dar errado, deu e com juros. Era para ser a celebração de quatro anos de namoro, mas virou uma odisseia de relatos hilários e desesperadores em um grupo de WhatsApp. A linha entre o fracasso total e a virada épica é mais fina do que se imagina. Ouça este episódio e descubra como o pior dia da vida de alguém pode se transformar no começo de uma nova era. Na Granja Portugal, não se fala em outra coisa!
Nathaniel Maia
6/1/202620 min read
E aí, grupo, firmeza total? Tô na esperança que tá todo mundo de boa por aí, com as coisas no lugar, sabe? Porque, meu amigo, aqui a situação tá osso! Sério, eu PRECISO desabafar com vocês, porque hoje foi um daqueles dias que parece que o universo olhou pra mim, apontou o dedo e falou: “É esse cara aqui! Bora fazer ele de exemplo e botar ele pagar tudo, e vai ser de uma vez só e com juros!”
Mano, foi tipo um boleto de todos os meus pecados – os que eu já cometi, os que eu tô pensando em cometer e até uns que eu nem sonhei ainda, os dessa dimensão e de todos os multiversos – tudo cobrado no débito, à vista, sem chance de parcelar no carnê!
Vocês já tiveram aquele dia tão zicado, mas tão zicado mesmo que parece que o azar tá te perseguindo com um chicote, tipo aqueles vilões de filme que não te deixam em paz um segundo que seja? Pois é, hoje foi exatamente assim, um caos atrás do outro.
Tipo, eu vou ser bem honesto com vocês: eu cheguei em casa pensando em apagar, deitar na cama, dormir umas 20 horas e fingir que esse dia nunca existiu. Só que, ó… nem isso véi, deitei aqui, rolando de um lado pro outro, e o sono? Nada! Parece que até o sono tá de sacanagem comigo, se recusando a aparecer.
A minha cabeça tá a mil, lotada de coisa, e esse dia desgraçado parece que esticou pra 48 horas, porque não acaba nunca!
Sabe aquele momento que você pensa: “Tá, pra quem eu vou contar essa tragédia grega que foi essa merda de dia?” Pois é, como eu não tenho grana pra pagar um psicólogo – e, pelo jeito, nem namorada e amigos mais eu tenho, porque até isso tá complicado –, sobrou só vocês mesmo aqui do grupo, pra me aguentarem e ouvir esse áudio gigante. Porque o meu próximo passo é o CVV. Então já vou logo agradecendo a paciência de vocês, de coração, porque, real, hoje eu tô precisando botar pra fora. Tô aqui, na vibe de quem tá quase implorando pra alguém ouvir e, quem sabe, mandar um conselho, uma zoeira, qualquer coisa pra aliviar o peso e ver se faz eu rir um pouco que seja.
Na real, eu não sou muito de ficar remoendo dia ruim, sabe? Geralmente, eu tento focar nas coisas boas, deixar os perrengues de lado e escorrerem pelo ralo. Mas sério esse dia aqui? Mano, esse dia aqui vai ficar marcado na minha história de tão épico no quesito “azar” que foi, é capaz de ganhar um troféu imaginário de “o dia mais foda da porra”. Tipo aqueles dias que você conta pros netos ou pros bisnetos no futuro, só pra eles rirem da sua desgraça, mas que eles nem acreditam. Então, se vocês tiverem um tempinho, pega uma cadeira, senta aí, ou continua fazendo o que tá fazendo – lavando louça, dirigindo, sei lá – e dá uma ouvida nessa saga. Quem sabe vocês não se identificam com algum perrengue, ou pelo menos dão uma risada da minha cara, assim meus aperreios serve pelo menos pra alguma coisa boa e arranca uma risada de vocês. E, ó, se alguém tiver passado por um dia tão trash quanto o meu, - o que eu torço muito mesmo que não, porque não desejo isso nem pro meu pior inimigo. - já pode mandar aí nos comentários ou no grupo, porque eu quero saber que não tô sozinho nessa!
Bora lá? Tô até com medo de não lembrar de tudo, mas vamos nessa, porque se eu não desabafar, acho que é capaz de eu explodir aqui. Então segura aí e vem comigo que contar essa odisseia, que chamo odiosamente de UM DIA DE GRANJA AZAR!
Silvio: Menina já faz não sei quanto tempo que aparece pra mim que o Nando está gravando um áudio e nada dele mandar esse áudio quero saber que áudio é esse que ele está mandando aqui, tá gravando é um álbum é?
Márcia: Não é, ele joga a bomba e depois Demoro uma eternidade pra continuar essa fofoca em vez de mandar a fofoca logo completa duma vez.
Narrador: Tô te falando! Sério, parece que tinha um cronômetro esperando dar 00h pra minha vida começar a desandar porque deu 00h e pronto, exatamente quando o relógio bateu meia-noite que começou a desgraça.Parece que o azar tava só esperando a hora pra me acertar com tudo, tipo um combo de perrengue que não acaba mais!
E ó… pra quem tá caindo de paraquedas nesse grupo aqui — sei que a maioria já tão ligados, mas sempre tem a galera nova também que só conhece metade da turma — eu moro ali na Coronel Fabriciano com a Maria Júlia, bem pertinho, quase colado no mercado, sabe? Eai minha rotina é aquela correria da vida de feirante, rotina puxada, acordando de madrugada pra ir pra Ceasa, montando barraca, carregar coisa, descarregando mercadoria, lidando com cliente,resolver pepino aquilo e acolá, e no final ainda se preparar pra próxima feira, é trampo atrás de trampo que nunca acaba. Normal.
E ontem, véi, era um dia especial, porque era meu aniversário de quatro anos de namoro. QUATRO ANOS, mano, dá pra acreditar? Eu nunca tinha tido um namoro desses assim que durasse tanto, tá ligado? Então, mesmo cansado com tudo, eu queria que ontem fosse especial e aí decidi fazer uma coisa diferente pra nós assim aproveitar e curtir o momento. Aí a gente fez o quê? Eu tirei folga e a gente passou o dia todo junto, passei o dia cuidando dela, Não deixa ela fazer nada, fui na lotérica pra pagar as conta dela e depositar um dinheiro que ela tava precisando, Aí eu burro peguei e aproveitei e apostei na loteria só por brincadeira, mal sabia eu o quanto falta aquele dinheiro ia me fazer, mas peguei a não vou fazer uma uma brincadeira e peguei apostei misturando a data do aniversário do nosso namoro a minha data de aniversário e a data dela, depois fui no frigorífico pra comprar umas carne pra fazer um almoço pra ela preparei e fiz um almoço do bom mesmo, que modéstia a parte, eu cozinho muito bem e a gente passou o dia junto, só charlando,
aí quando pegou quando chegou à noite a gente pegou e fomos curtir numa boa e pá. Ai tava eu e minha mina ali de boa pelas áreas, e a gente tava numa vibe muito massa, levei ela pra Pracinha da Juventude, fomos numa pizzaria ali, pedimos uma pizza, ficamos conversando, trocando uma ideia de boa e tal, uma risadinha aqui, uns beijinhos acolá, aqueles amassos gostoso sabe? tudo fluindo direitinho. O negócio é que tava bom demais, mas tinha hora pra acabar aí você me pergunta porquê? ora por que! Porque eu tinha combinado que ia dormir cedo, porque hoje tinha a feira da Granja, e quem é feirante sabe: é aquele corre de acordar antes do sol nascer, carregar mercadoria, montar a barraca, aquela loucura toda. Só que, assim meu irmão…, pô, a noite tava tão boa, sabe? Quatro anos com a mulher ali, aquele sorriso, aquela energia boa dela com aquele jeitinho dela me olhando e com aquela carinha pronta pra me fazer de besta… Aí eu pensei o que? “ah, foda-se négocio de dormir cedo, vou é aproveitar mais um pouco, nem que eu vá trabalhar virado. Não é a primeira vez, nem vai ser a última, né? Não vou morrer por isso e se morrer pelo menos faço valer a pena.” Mal sabia eu que era melhor ter ido dormir mesmo, se tivesse ido dormir era capaz de ainda ter um relacionamento, estava sendo trouxa? Tava, mas pelo menos ainda tinha um relacionamento e não tinha estragado a droga do meu dia todinho. Mas não vamos botar a carroça na frente dos bois né.
Beleza, tava tudo rolando numa boa, a gente curtindo, dando aquela macetada gostosa, aproveitando o momento. Até que, mano, tudo desmoronou. Tava lá, de boa, depois de tomar um banho junto, curtindo, rindo, vendo TV, quando vi que ela recebeu uma mensagem. Isso era mais ou menos umas 12h30, 1h ainda. Aí, curioso, dei uma olhada, e era de um “amigo” meu. O cara mandou uma mensagem no maior desrespeito, perguntando se ela já tava “livre” e se ela já tinha “largado do otário aí?”… Mano, OTÁRIO? Quem ele tá chamando de otário? Otário esse que sou eu, no caso, né?
Aí não prestou não, o sangue ferveu na hora! Peguei e fui tirar satisfação com ela, perguntei: “Que porra é essa aqui?” Ela tentou desconversar, veio com uns papo furado, tentando virar a história pro meu lado, dizendo que eu tava exagerando,Que eu tava vendo coisa onde não tinha, que eu era paranoico, que a gente já tava junto há muito tempo para estar com essas conversa pro lado dela, que era besteira, tudo coisa da minha cabeça. Mas, véio, eu não sou bobo né. Pedi pra ela abrir a conversa, e detalhe: o contato do cara nem tava salvo! Era como se fosse a primeira mensagem, mas o tom… Mano, o tom não engana! E ainda tinha uma mensagem de visualização única, sabe? Insisti pra abrir, e ela relutando, se recusando, até que abriu. Não era nude, mas era uma foto dele numa rua, com a moto… Assim não é nada demais né? Mas vemos e convenhamos que é um papo muito suspeito, Isso era.
Aí, véio, a coisa esquentou. Ela ainda teve a cara de pau de jogar a culpa em mim e querendo me fazer de doido, com aquele papo de sempre: "ah, não, você tá vendo coisa, você é ciumento demais, isso é coisa da sua cabeça, confia em mim, blá blá blá…". Ela tentou me fazer de doido na cara dura mesmo. Mano, eu não sou maluco! E o pior, sempre que eu perguntava quem é o otário que ele tava falando ela desconversava dizendo que a gente namora há quatro anos e que eu tinha que confiar nela, porque o cara era "só um amigo". Amigo, sei... E o pior: de primeira,o cara nem amigo dela era, teoricamente, e muito teoricamente mesmo, o cara é AMIGO MEU, ou pelo menos era, né? Eu insisti, ela se esquivando, e aí clima azedou de vez quando eu vi já era mais de 2h da manhã e a gente lá discutindo.
Aí, no meio da briga, ela pegou as coisas dela e foi embora. E, pasmem, levou o colar de prata que eu tinha dado pra ela de presente de aniversário de namoro umas horas antes! Sério, Um colar de p 0rata que eu enfiei no cartão de crédito, que eu fiz uma dívida dos infernos pra comprar aquele colar, parcelei e vou passar meses pagando aquele troço, é capaz de eu ir parar no Serasa agora por causa disso. E em troca o que eu ganhei de presente? Isso mesmo,
Um belo par de chifres como presente de quatro anos de namoro! Eba! Parabéns pra mim. E o detalhe final, pra fechar com chave de ouro, ou melhor, de prata: quem foi buscar ela? O próprio cara, que trabalha de Uber.
Ela veio com um papo de que ele só dá carona de vez em quando porque “ah não, é que às vezes ele me dá carona mais barato, faz uns descontos…é mais barato” Eu sei bem que tipo de desconto é esse que ele tá dando pra ela. É muita cara de pau! Mas beleza, deixa quieto. e ainda teve gente que me colocou como o errado da história? Sério, teve gente falando depois que eu tava exagerando, que eu tinha que ouvir “os dois lados”, que o fulano é meu amigo há anos e não faria isso comigo. Aí eu já começo o dia bem, já nas primeiras horas, terminando um namoro e, não, e se eu disser que essa não é nem a pior parte do dia ainda, ainda piora mais.
Dei pra frente, meu filho, eu já sabia… não tinha como ser diferente, não. Sabia que daí pra frente era só pra trás, tá ligado? Peguei, fiquei lá, sozinho… puto da vida, com ódio, mas ao mesmo tempo triste, coração estraçalhado, parecendo que tinha passado um caminhão em cima.
Aí, óbvio, né? Peguei e comecei a beber. E bebi, viu? Bebi bonito. A bebida que era pra dois, fui virando tudo sozinho, com as sofrências brabas - tipo Marília Mendonça, Jorge & Mateus, Zezé di Camargo gritando no talo e martelando na minha cabeça, enquanto as latinhas de cerveja ia se acumulando no chão. E eu ali, cada gole era tipo: “parabéns, otário, quatro anos no lixo”.
E já era duas da manhã, mais de duas, e eu lá, virando copo atrás de copo, já meio entregue, pensando na minha cabeça: “quer saber? Vou apagar aqui, quando acordar amanhã, eu vejo o que faço. Hoje eu só quero sofrer, quero pagar meus pecados de uma vez, porque pior que tá não fica.” Só que, meu filho… querer sofrer é pedir pra sofrer mais ainda. O universo ouviu e falou: “beleza, isso é uma vou dobrar a dose pra ele.”
Deitei na cama, sozinho. E fazia tempo que eu não reparava como minha cama era grande, viu? Grande demais. Parece que virou cama king size, de tão vazia. Fiquei ali, virando de um lado pro outro, corpo mole de bebida, mas cabeça elétrica, não desligava. O álcool não bateu como eu queria, não veio aquele sono bruto, sabe? Era só eu e meus pensamentos, que parecia que tinham tomado energético.
Acabou a bebida, fiquei só encarando o teto, me sentindo a própria desgraça. Aí levantei, fui no espelho, fiquei me olhando. E, pra minha surpresa, nem tava tão bêbado assim. Um pouquinho tonto e pá, mas de pé. Aí deu aquele estalo: “quer saber? Se ela não soube valorizar o homem que eu sou, o problema não é meu, não. Eu não vou me enterrar, não. Vou cuidar da minha vida.”
Até falei pra mim mesmo em voz alta, olhando no espelho: “irmão, se ela não sabe dar valor, azar o dela. Eu vou seguir. Não vou me lascar por causa dela, não. O mundo não para, a feira não espera.”
Aí, nessa ingenuidade de quem acha que tá vencendo a vida, tomei a decisão: quer saber de uma coisa, vou mesmo pra feira. mesmo tando cansado, baqueado, coração arrebentado, mas vou.
Fui pro banho, mas não foi banho normal, não. Foi banho de purificação, daquele jeito que a gente se esfrega como se quisesse arrancar o passado da pele, tirar todo o DNA da pessoa, limpar até a alma. Esfreguei tanto que parecia que tava passando Bombril. Saí do chuveiro novo, pelo menos por fora, né? Por dentro ainda tava um lixo, mas pelo menos cheiroso.
Vesti a roupa, respirei fundo, eu tava tentando me convencer de que sou o homão da porra, falei: “é isso, bora encarar.”
entrei no meu carrinho, aquele Fiat Palio 2008 vermelho, bichim que já tá mais pra sucata do que pra veículo, mas é o que me leva pra Ceasa todo dia, botei uns desejo de menina pra tocar — porque, claro, a gente fala que quer superar, mas bota logo a trilha sonora da sofrência — e fui fazer na minha rota pra CEASA. Isso já era mais de 4h já e aí eu tava lá com o meu Desejo de Menina rolando, cantando alto aquela pedrada
“Foi tarde demais, eu não te quero mais, Me curei, tô bem, passou” pra ver se eu conseguia espantar a bad. E nisso, eu dirigindo e falando pra mim mesmo, tipo: “é isso, bora vencer o dia, bora encarar a feira, bora mostrar que eu não dependo de ninguém”. Meu filho… não deu nem 10 minutos na estrada, véi, e o carro começa a fazer um barulho esquisito, tipo um “tec-tec-tec” misturado com um gemido de motor morrendo. Eu, na ingenuidade, pensei: “É só uma tossezinha, vai segurar.” Mas quem disse? O bicho engasgou, deu uns solavancos e parou de vez. PAROU!
Isso ainda era 4h, num era nem 4h30m da madrugada ainda! E eu ali no meio da Waldir Diogo, lá pertinho ali do Cuca do Mondubim. Num escuro que nem breu, a rua um deserto, só de vez em quando passando um carro ou outro e eu lá, sozinho, com o capô levantado, olhando pro motor tentando entender o que tinha rolado e ver se eu podia fazer alguma coisa pra desenrolar, mas assim, Mano, sendo 100% sincero com vocês aqui, eu não entendo porra nenhuma de carro! Fiquei xingando, chutando o pneu, e o desespero batendo. Eu já tava pensando nessa hora que tipo puta que pariu agora só que me resta ser assaltado aqui e tudo mais. A minha cabeça a mil teorizando, vão passar aqui, me ver dando bobeira, vão passar o rodo em mim e eu vou ter que voltar pra casa a pé sem nada. Sem carro, sem celular, sem dinheiro,sem porcaria nenhuma, mas graças a Deus, pelo menos isso não aconteceu né. Parece que o universo não é tão clichê assim. Ai eu tô ali, no meio do nada, sem alma viva por perto. Primeira coisa que foi o que, Vou abaixar o capô vou entrar dentro do carro e qualquer coisa que passar aqui por aqui talvez vai pensar duas coisa ou vai pensar que eu moro aqui perto e tal ou vai pensar que eu estou trepando com alguém e não vai incomodar tal é o tempo que eu pego vou e chamo o guincho aí beleza né pensei: “Beleza, vou chamar um reboque.” Peguei o celular, liguei pro guincho.
Nisso eu fui e liguei pra quatro guinchos até um finalmente atender, e era um que nem era assim o que eu tava acostumado a ligar quando meu carro tava problema. Eu peguei e chamei esse que era um que o meu pai tinha pegado tinha comentado comigo, que era de um amigo dele e tudo mais, mas aí o cara já veio com aquele papo: “É R$ 300 pra levar o carro até a oficina.” Mano, R$ 300? Eu torcendo pra não ser assaltado ali, aí o cara vem e quer me assaltar com esses papo e tal, mas eu não cedi fácil não, eu peguei chorei chorei chorei com ele até fazer ele pegar e ter pena de mim. Conseguir convencer ele a deixar por uns 150, que já é muito caro pra mim, porque meu filho não tem condição não, Eu já tô devendo o colar da ex, vou pro Serasa por causa dela, e agora isso? Aí enquanto isso eu peguei tava esperando o guincho né peguei fui procurando a oficina se tinha alguma oficina de carro aberta por ali a oficina de carro que tava aberta era lá na baixa da égua, Lá no Montese.
Fui e fiquei lá pegando esperando o cara né, o cara inclusive demorou bastante ainda, não é querendo reclamar do serviço do cara não, mas assim… se eu dizer que ele foi rápido também, eu vou estar mentindo. Vai ver que o cara tava era dormindo, talvez por isso que ele tinha aceitado fazer metade do preço pra mim. Aí quando ele chegou nem papo teve, já foi logo me cobrando, garantindo o dele, peguei fui lá e paguei ele com dinheiro que tava na minha carteira basicamente e aí ele pegou foi e me levou lá pra oficina do Montese que era que tava aberta lá perto. Ele pegou me deixou lá, seguiu o rumo dele eu fiquei esperando o cara da oficina que deu uma geral no meu carro.
Aí se o cara do reboque demorou, aí o cara da oficina foi lá e parece que descontou assim pegou ou fez o serviço rápido tudo certo eu pensava cê me dar um pronto agora agora sim vai dar bom vou pegar vou sair daqui vou conseguir ir no ceasa e resolver minha vida tudo dando certo até que chega a hora de pagar o homem dessa oficina aí né já tinha gastado todo meu dinheiro pagando o guincho peguei e fazer o que vou lá e vou pagar ele Como com dinheiro do cartão né peguei e fui pagar o cartão virtual quem disse que o cartão passava? Tentei três vezes e todas três a mesma coisa dizendo que o cartão tava bloqueado aí foi que caiu a ficha,Aí lembrei Que o que: “Peraí, eu tenho o cartão virtual dela no meu celular, aquele que ela usava pra pagar as coisas.” Tentei passar o cartão pelo aplicativo, mas – surpresa! – a desgraçada bloqueou o meu cartão virtual!Juro pra vocês, naquela hora ele meu filho eu só queria me matar o tanto de ódio que eu tava não era brincadeira não viu.
Isso mesmo, grupo, a ex, que já tinha me dado um chifre, levado o colar e me feito de otário, ainda bloqueou o meu cartão que tava no meu celular e que a gente usava. Porque eu vou falar pra vocês, vou mandar a real, nos últimos tempo eu vivia gastando, exagerando muito e tudo mais, aí todo final de mês chegava e eu tava aperriado pra pagar as contas, então eu peguei e passei um tempo pra pegar pra me arrumar e organizar as minhas conta né. Como eu não era muito controlado, eu tive a brilhante ideia e peguei, cheguei na minha namorada e pedi pra ela fazer o seguinte, eu disse: “Amor, vou pegar vou botar o meu cartão no teu celular e tal e aí qualquer coisa, se tu ver que eu estou gastando demais ou eu comentar contigo qualquer coisa tu vai lá e bloqueia pra mim não ficar gastando dinheiro à toa e pra ficar apertado no final do mês” e tava tudo numa boa até que aí nisso, agora ela pega vai lá e faz um sacanagem dessa comigo. por pura pirraça.
Nisso eu fico como lá, olhando pra cara do homem da oficina igual um palhaço, eu peguei e tentei explicar toda situação, conversar com ele e tudo, mas é claro que não acreditou em nada né. Ele penso que eu tava tentando passar a perna nele, queria pegar deixar como se ele tivesse feito o serviço de graça pra mim. Mas vamos ser sinceros também, no lugar dele, Quem não pensaria nisso? Acabou que ele não me deixou ir embora com meu carro aí eu fui e fiquei lá. Mandei umas trocentas mensagem pra minha ex. Eu peguei nas mensagens explicando tudo, falando de como tinha sido as coisa, pedindo pra ela desbloquear droga do cartão e tudo mais e a imunda ainda pegava visualizava e não me respondia. Devia estar bem trepando com aquele Fuleragem, por aí você tira como aquela imunda fez só de mal mesmo, assim só pra me atazanar!
Nessa hora meu filho, eu já tinha desistido, já tava olhando as rotas dos ônibus que pegava que passava por lá e que passava perto da minha casa, quando eu lembrei do menino, do Thiago. Mandei um áudio pra ele, tipo: “Mano, me salva, meu carro morreu na BR, tô sem grana, sem nada, me dá uma carona, pelo amor de Deus!” O Thiago, que é um cara de ouro, respondeu na hora: “Tô passando aí em 10 minutos, segura a onda.” Inclusive, quero agradecer o Thiago, um abraço irmão, aliás, você não foi só um irmão não, você foi assim… um anjo pra mim! Você me salvou, certo que eu não pude fazer muita coisa pra agradecer não, mas você foi assim você realmente foi assim um anjo pra mim. O Thiago já chegou, rindo da minha cara, óbvio, e disse: “Mano, tu é o cara mais azarado que eu conheço. Entra aí.” Eu, com a autoestima no chinelo, entrei no carro dele e fomos pra Ceasa.
A gente foi conversando e contando tudo pra ele, além de me consolar, ele comentou comigo que "por sorte minha ", o que deve ter sido o único momento de sorte que eu tive no dia, ele pegou tinha se atrasado e só por isso ele estava indo pra Serasa agora e como ele morava por aquelas banda ali, ele não se importou de me dar carona já que gente ia pra mesma feira também depois dava certinho. Aí ele pegou passou lá, me pegou e assim tipo valeu mesmo, muito obrigado, sério mesmo, irmão estou assim tu é 10.
Chegando lá na CEASA, as coisas não melhoraram muito porque eu percebi que no meio de todo aquele inferno que tava rolando, o lesado aqui que vós fala tinha esquecido a carteira dentro do carro, trancada, sim… aquele mesmo carro que tinha ficado lá no Montese. Eu tava sem grana e sem cartão, eu tava lascado. Então o Thiago, irmãozão, me emprestou 200 conto pra comprar as mercadorias pra vê se eu conseguia dar um jeito nisso tudo e descolava uma grana. Só que, véi,assim a gente já chegou lá já era mais de 6h e a maioria das melhores coisas já tinham zarpado dali antes da gente chegar. Só que eu com dinheiro emprestado e contado, não tinha muita escolha. Fui pegar mercadoria, e pra vocês terem uma ideia, o dia tava tão zicado que as frutas que eu peguei tavam meio passadas, num nivel assim que só tinha os restos. Era tomate meio amassado, parecendo geleia, banana com mancha,já amarela demais, quase preta, laranja que parecia que tava com depressão, Alface tão murcho que parecia um pano de chão. Mas era o que tinha pro meu orçamento, então levei. Pensei, tentando me convencer, “não, dá pra vender, é só falar que tá madurinho… Vou dar um jeito, vou vender isso na lábia, sou feirante, caralho!” Mesmo sabendo no fundo que o povo ia reclamar, mas assim, o que vinhesse era lucro. Era o que eu achava né.
Aí cheguei na feira, que já tava lotada, fui lá e montei a minha barraquinha, arrumei as caixas, as frutas, as verduras, deixei tudo lá, ajeitei tudo bonitinho.com aquela energia de quem tá precisando desesperadamente que alguma coisa vai der tudo certo, nem precisa ser tudo, mas que alguma coisa minimamente precisa dar certo. Aí eu fiquei lá, esperando algum cliente finalmente chegar, com os muriçocas me comendo vivo – porque, claro, tinha que ter mosquito pra completar o dia. Aí, grupo, Quando finalmente eu tinha conseguido um cliente, tinha convencido ela comprar aqueles tomate velho que tava tava murcho parecendo não sei nem o quê, quando a gente vai botar as coisa na balança, aí é que vem a cereja do bolo: a balança tava quebrada. QUEBRADA! Ligava, piscava uns números aleatórios e desligava. Eu ainda tirei pilha, botei pilha, Tentei dar uns tapinhas, chacoalhar, rezar pro santo da eletrônica. Pedi até pra Mazé, me emprestar umas pilha, mas nisso a cliente já não tava lá muito convencida foi e aproveitou e pegou o beco. E mesmo assim, depois de tudo, nada… a droga da balança não voltou a prestar de jeito nenhum, a bendita tava morta mesmo.
Agora pronto, vai no olho de feirante mesmo. Agora vai ter que ser no chute, pesando no olho, e os clientes, óbvio, começaram a me passar a perna. Teve um cara que pegou um saco de laranja e disse que era 2 quilos. Eu, na correria,E também como tava vendendo muito peguei… ah pensei vou deixar passar. Outra hora foi uma senhora que levou um monte de tomate e pagou metade do preço, porque “tava meio feio” e como eu num tava podendo escolher cliente fiz vista grossa. Teve até uma senhora que pegou uns quilos de batata, olhou e disse: “ah, deve dar uns dois quilos e meio, né?” E eu, já sem ânimo de discutir, falava: “é, deve ser.”
Piorar tudo ainda teve uma velha véa safada que veio com aquele sorrizinho véi sonso, todo ingênuo, todo bobo e tudo mais, aí pega com aquela vozinha doce e tal dizendo assim ai meu filho, ela parecia até minha vó falando, só que a bicha mala que só pegou umas coisa e fez umas compra, mas aí pegou na hora de pagar veio com conversa pro meu lado, com négocio de vou fazer no Pix, ai eu falei que tinhado dado R$50 e nossa… pra mim meu filho, do jeito que eu tava ali… R$50 era ouro! Fui lá, peguei e passei meu QR code, mostrei os dados direitinho – nome, CPF, tudo certinho. Ela foi lá, pegou o celular, fez aquele teatro, digitando com os óculos na ponta do nariz, como se fosse a primeira vez que usava o aplicativo. “Ai, meu filho, esses negócios de tecnologia são tão complicados, né? Mas ó, já fiz aqui!” E mostrou a tela do celular na sugesta, bem rápido, como quem fez o Pix pra mim e foi embora, A véa simplesmente sumiu, evaporou! E eu na correria, querendo vender logo, nem prestei atenção.
Dái quando eu dei fé eu peguei e fui olhar o aplicativo do banco e num vi nada… Fiquei lá, parado, olhando pro celular, esperando a notificação do Pix cair, pensei até que fosse o 5g, mas tava funcionando. Deu cinco minutos e nada. Dez minutos e nada, quinze minutos e nada, meia hora, véi, e nada, NADA! Quem disse que esse dinheiro chegou, quem disse que eu vi esse Pix chegar pra mim? Tô ali, na barraca, segurando o celular com mó cara de otário. Olha, sinceramente, pode ter gente aqui que vai defender ela, porque eu sei que tem gente que acredita realmente na ingenuidade dos outros, e eu sei que tem idoso que é mais ingênuo mesmo, mas sinceramente… aquilo pra mim não foi ingenuidade não, aquilo ali foi cara de pau mesmo, pra mim safadeza. Pronto, só o que faltava pra acabar de completar, eu levei uma enrabada de um prejuízo de 50 conto que eu já não tinha véa malaca.
Resumo da ópera do dia como todo? Prejuízo total desde o primeiro cliente. Vendi pouco, levei calote de uma velha sem-vergonha, gastei o que não tinha, e no fim do dia, o pouco que entrou mal dava pra pagar o empréstimo do Thiago. Ou seja: trabalhei de graça e ainda fiquei devendo. Inclusive, Thiago, se tu tá ouvindo, mano, me dá um tempo pra te pagar que vai dar bom, porque hoje mesmo tá complicado viu, esse dia tá me matando!
Oh gente, vou ser sincero… eu sei que já falei demais pra vocês aqui hoje, amanhã eu pego e continuo contando pra vocês o desenrolar, só me avisem aqui se vocês preferem que seja um áudio mais longo e detalhado ou vocês preferem que seja uma coisinha mais resumida? Que aí dependendo que vocês disser eu pego um resumo tudo aqui pra vocês ou contínuo destrambelhado falando por que eu estou sentindo que hoje foi meio que a minha sensação de terapia mesmo. E, por favor, se alguém souber onde tá a véa do Pix, me avisa, que eu quero xingar ela.





